sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Saídas e Bandeiras.

Fernando Brandt

no. 01
O que vocês diriam dessa coisa que não da mais pé
O que vocês fariam pra sair dessa maré?
O que era sonho vira terra
Quem vai ser o primeiro a me responder?
Sair dessa cidade, ter a vida onde ela é
Subir novas montanhas, diamantes procurar
No fim da estrada e da poeira
no. 02
O que vocês fariam dessa coisa que não dá mais pé
O que vocês fariam pra sair dessa maré?
O que era pedra vira corpo
Quem vai ser o segundo a me responder?
Andar por avenidas enfrentando o que não dá mais pé
Juntar todas as forças para vencer essa maré
O que era pedra vira homem
E um homem é mais sólido que a maré.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Em busca de sentido

Psiquiatra de NY cria terapia que busca significados para a vida Programa ajuda paciente a enfrentar câncer terminal

"Quando Midge Wilker recebeu o diagnóstico de câncer de cólon avançado, em meados do ano passado, ela não conseguia ir a uma consulta médica sem chorar. A ex-executiva da IBM, que havia aberto sua própria empresa de treinamento gerencial, sentia enjoos e pavor. Os médicos disseram que o câncer havia se espalhado para os ovários, os nódulos linfáticos e possivelmente o fígado. Ela não abriu as persianas de seu apartamento durante semanas."Todo mundo ao meu redor me falava o quanto é importante ter uma atitude positiva", diz Wilker, de 64 anos. "Mas não sou Lance Armstrong. Eu queria pular na cova."Um dia, enquanto fazia quimioterapia no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center (MSKCC), em Nova York, Wilker aceitou participar de uma pesquisa que comparava duas diferentes formas de terapia de apoio em grupo. Perguntada sobre o que esperava ganhar com a participação na pesquisa, ela respondeu: "Preciso achar coragem para enfrentar isso". O programa inovador ao qual ela foi aleatoriamente designada tem o objetivo de fazer isso e mais - ajudar pacientes de câncer a encontrar significado, paz e metas de vida, mesmo quando o fim se aproxima. "Para muitos pacientes de câncer, o maior desafio é: 'Como viver no espaço de tempo entre meu diagnóstico e a morte?'", diz William Breitbart, psiquiatra do MSKCC que desenvolveu o programa, conhecido como psicoterapia centrada em significado, que foi testada em mais de 300 pacientes desde 2000.Breitbart baseou seu programa nos textos de Victor Frankl, um psiquiatra austríaco que sobreviveu ao campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, com a convicção de que as pessoas podem suportar o sofrimento se souberem que suas vidas têm sentido. "Ajudamos os pacientes de câncer a entender que eles ainda não estão mortos", diz Breitbart. "Os meses ou anos de vida que restam são tempos potencialmente extraordinários de crescimento e significado."A maioria dos centros de câncer oferece grupos de apoio e aconselhamento individual aos pacientes. O campo da "psico-oncologia" - que procura cuidar dos aspectos psicológicos, espirituais e emocionais do câncer - está em franca expansão ao redor do mundo. O foco no significado da vida é a originalidade do projeto e ainda está em fase de pesquisa no MSKCC. Mas os primeiros resultados são encorajadores. Num estudo piloto com 90 pacientes apresentado no encontro da Sociedade Internacional de Psico-oncologia, em Viena, no mês passado, Breitbart e seus colegas concluíram que a terapia de grupo centrada em significado aumentou consideravelmente o bem-estar espiritual dos pacientes e reduziu sua ansiedade e desejo de morrer, em comparação com grupos tradicionais de suporte a cancerosos. A melhora continuou até dois meses depois do fim das sessões.O programa é dividido em oito sessões semanais; os grupos têm de seis a oito pacientes e dois facilitadores. Embora haja discussões e exercícios em grupo, os pacientes têm de descobrir o que é importante na vida deles por conta própria. "É realmente uma questão de estar lá o tempo todo - só os ajudamos a encontrar o que estava perdido", diz Shannon Poppito, uma psicóloga clínica que ajudou a coordenar as sessões.Em setembro, Wilker estava sofrendo demais com a quimioterapia para participar da primeira sessão, na qual os participantes foram apresentados à equipe e receberam o livro de Frankl, "Em busca de sentido", sobre seus anos nos campos de concentração nazista.A segunda sessão concentrou-se em identidades "BC", as iniciais em inglês para antes do câncer, e "AD", de depois do diagnóstico. Wilker chegou vestindo um abrigo esportivo, sem maquiagem, sem saber se voltaria."De uma maneira profunda, eles nos fizeram pensar a respeito do nosso passado e do que o câncer nos tirou", relembra. "Para mim, foi tudo. Eu estava me transformando numa pessoa que eu mesma não reconhecia mais."Boa parte dos outros membros do grupo havia sido diagnosticada com câncer anos atrás e estava lidando com o retorno da doença. Elas conversavam sobre paixão por teatro, andar de bicicleta e encontrar formas de continuar a desfrutar do que gostavam. "Pensei: 'Estou vendo tanta coragem aqui. Tenho que me recompor'", relembra Wilker.As sessões três e quatro foram dedicadas a fontes históricas de significado - como a vida é um legado vivo do passado para o presente e o futuro. Os membros do grupo foram solicitados a refletir sobre suas famílias, o período histórico em que cresceram - até mesmo a origem de seus nomes.Wilker se lembrou de momentos em que havia sido corajosa. Ela driblou a hierarquia da IBM para dar uma nota alta a um subordinado recém-promovido e confrontou o comandante de uma base militar em que trabalhava. Ela exigiu uma promoção e a conseguiu. "Se o que você procura é coragem, ajuda reconhecer que você fez algumas coisas corajosas no passado", diz.A quinta sessão tratou das limitações de vida e da mensagem de Frankl de que, mesmo que tudo tenha sido tirado de alguém, esse alguém ainda pode escolher que atitude tomar diante de uma situação e que significado atribuir a ela. Entre as questões discutidas estavam: como você quer ser lembrado e o que seria uma morte com significado? Mesmo para pacientes com câncer avançado, nunca é tarde demais, diz Breitbart, que nota como no livro "A morte de Ivan Ilyich", de Leon Tolstói, o personagem principal torna-se a pessoa que queria ser e se reconecta com seu filho nos últimos cinco minutos de vida.As outras duas sessões focaram as formas de como transcender as limitações impostas pelo câncer. "Você não está morrendo de câncer - está vivendo com câncer até morrer", diz Poppito.Simplesmente viver a vida pode ter bastante significado. Na sétima sessão, os pacientes fizeram listas de coisas que amavam ou consideravam bonitas ou divertidas. Wilker falou sobre o marido, seus 28 sobrinhos e 62 sobrinhos-netos, a espetacular vista de seu apartamento, que voltou a desfrutar, e a estátua da Vitória Alada, esculpida 300 anos antes de Cristo e exposta no Museu do Louvre. "Descobri que não tinha que trabalhar tão duro para encontrar o significado da vida", diz. "Estava ao alcance da minha mão em qualquer lugar que eu olhasse." Na sessão final, os membros do grupo apresentam um "projeto de legado" que simboliza o significado que encontraram e querem passar adiante. Uma mulher que amava Nova York começou a escrever um livro sobre as atrações e os sons da cidade. Outra que sempre quis ir à Itália decidiu fazer a viagem, apesar do calendário de quimioterapia. Wilker decidiu que seu projeto seria "ser a pessoa corajosa que minha família e amigos acham que sou". Ela chegou à última sessão vestida a rigor e carregando uma réplica da Vitória Alada e uma foto da reunião de 50 anos da escola da qual ela participou após conseguir se encher de coragem. Não é mais difícil abrir mão da vida quando você tem uma nova apreciação de seu sentido? "É paradoxal", diz Poppito. "Mas se você mostra às pessoas que a vida delas tem importância e vai continuar a importar depois, (...) lhes dá uma sensação de paz".
Melinda Beck, The Wall Street JournalPublicada no jornal Valor Econômico
www.dimenstein.com.br (jornalismo comunitário)
Pesquisa Folha (18/07/2009)

quinta-feira, 28 de maio de 2009

A Fraternidade é Frágil!

À medida que os sonhos de uma sociedade muito mais justa diminuíram, a esquecida palavra fraternidade foi ressurgindo. Os mais sonhadores podem não gostar dessa palavra, os individualistas podem ironizá-la, mas a vida se esvazia sem esses elos entre a casa e o mundo. A fraternidade não envolve só os laços familiares, mas principalmente os de amizade, os irmãos da vida. São esses enlaces fraternos que criam os suportes para se enfrentarem as dores das perdas, ajudando assim a suportar as tristezas, bem como festejar as conquistas, amando a vida como ela é. De fato, nunca se sabe com certeza como a vida é. Ademais, ela não pergunta, as coisas acontecem, e não é por acaso que tanto tem sido escrito sobre os relacionamentos e a arte de viver. Arte essa que passa pela capacidade de ter alguns amigos indispensáveis para conversar e assim mudar a forma de olhar o cotidiano.A fraternidade é frágil, como já se sabe desde os tempos bíblicos, pois o primeiro crime ocorreu entre irmãos, quando Caim matou Abel por inveja. As rivalidades fraternas seguem na Bíblia com Jacó e Esaú, com os irmãos de José, que o venderam como escravo para o Egito; muitos anos após, quando se tornou ministro do faraó, teve a chance de se vingar da crueldade dos irmãos e não o fez, introduzindo a fraternidade na Bíblia. O vínculo fraterno é paradoxal, oscila como duplo entre a ameaça à identidade imaginária da criança e ao mesmo tempo é mais uma de suas identificações. Esse vínculo também é a base de apoio da solidariedade, que estimula as ações coletivas e alivia o desamparo. Já Cícero definia o humano como frágil e perecível e, por isso, enfatizou como os amigos são necessários para darem conselhos e porque sem amigos não há alegria.Apesar dos desencontros que ocorrem nos percursos da existência, é preciso fazer o elogio da amizade. Quem já viveu a experiência de ser ajudado ou já foi capaz de ações de desprendimento sabe toda a importância do outro. Há poucos dias, li na internet como um grupo de amigas fez um almoço para uma delas, que havia tido uma perda importante. Alguns esportistas não esquecem os colegas do passado e sabem ser bondosos quando um ou outro precisa. Quando ocorrem atos fraternos, a humanidade se enriquece, são iniciativas que diminuem o ceticismo geral. Atos que deveriam ser mais divulgados na mídia para que todos soubessem, todos os dias, não só das corrupções e crueldades, mas da quantidade de gestos nobres que acontecem. Se há nos jornais páginas esportivas, políticas e policiais, poderia haver uma da solidariedade.Já é mais do que hora de recuperar o quanto de humanidade tenhamos perdido, e pode ajudar a leitura do poema Aos que Vão Nascer, do marxista Bertold Brecht: “Ah e nós, que queríamos preparar o chão para o amor, não pudemos nós mesmos ser amigos”. Uma frase sobre o futuro da humanidade, a possibilidade da utopia, a importância da humildade, bem como ter na amizade a primeira esperança.
(Abrão Slavutzky. Psiquiatra, Psicanalista, residente em Porto Alegre, RS)

terça-feira, 26 de maio de 2009

Quanta Leveza!!

Eva Cassidy - over the rainbow
http://www.youtube.com/watch?v=eUwTdqPkluY

Over The Rainbow.


Eva Cassidy

Somewhere over the rainbow, way up high
In the land that I heard of once, once in a lullaby.
Somewhere over the rainbow, skies are blue
And the dreams that you dare to dream really do come true.
Someday I'll wish upon a star
And wake up where the clouds are far behind me.
Where troubles melt like lemon drops
Away above the chimney tops
That's where you'll find me.
instrumental
Someday I'll wish upon a star
And wake up where the clouds are far behind me.
Where troubles melt like lemon drops
Away above the chimney tops
That's where you'll find me.
Somewhere over the rainbow, skies are blue
And the dreams that you dare to dream really do come true.
If happy little blue birds fly
Above the rainbow why, oh why can't I?

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Por uma Economia Solidária

"Que para todos haja sempre pão para iluminar a mesa
Educação para aliviar a ignorância
Saúde para espantar a morte
Terra para colher o futuro
Teto para abrigar a esperança
E trabalho para fazer dignas as mãos" (EZLN, 1996)
(Relexão do Colóquio sobre Economia Solidária na Cátedra Gestão de Cidades/UMESP)