"Não quero nem devo lembrar aqui por que me encontrava naquela barca. Só sei que em redor tudo era silêncio e treva. E me sentia bem naquela solidão...."
Estou no décimo tercerio conto de uma série de dezoito. Confesso que até agora não havia conversado com nenhum deles, talvez por desatenção, hábito de leitura ou apatia diante dos temas corriqueiros da vida.... E olha que estou falando de obras-primas de Lygia Fagundes Telles!
Acontece que o "Natal na Barca", moveu meu interior, mexeu profundamente comigo...
Fala de encontros improváveis entre pessoas invisíveis...isso mesmo...essas que estão entre nós e não queremos ver. São pessoas com histórias sofridas, marcadas pela desgraça, perda e desprezo. Desvio o olhar, tento não fazer nada ou dizer coisa alguma, mas o enunciado do sofrimento cresce cada vez mais e somos obrigados a olhar....nos braços daquela mulher, o velho bêbado esfarrapado pelas ruas, a criança que carece de cuidados básicos, na diversidade de aflições que povoam essa Terra!
Sempre haverá algum aflito ou aflita em meu caminho...
"Ia contando as sucessivas desgraças com tamanha calma, num tom de quem relata fatos sem ter participado deles realmente. Como se não bastasse a pobreza que espiava pelos remendos da sua roupa, perdera o filhinho, o marido e ainda via pairar uma sombra sobre o segundo filho que ninava nos braços. E ali estava sem a menor revolta, confiante. Intocável".
Lygia Fagundes Telles. Antes do Baile Verde (contos)
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
domingo, 2 de janeiro de 2011
Recomeços
Confraternização de ano novo, casa da tia, ócio completo, conversas de todos os tipos e comidas também. Gente por todo canto, vai e vem de adultos, corre e corre de crianças, senta, levanta e deita...sossego total.
Assim começa o ano novo...nenhuma preocupação ou ansiedade, apenas descanso e descaso.
Não me dou conta nem mesmo das horas que passam desapercebidas e sem pressa alguma. Parece que no começo o tempo não marca as horas, não quer saber de compromissos, segue despretensiosamente e desse jeito sossegado.....vai ficando!
Por mais gostoso que seja é bom quando acaba e a vida volta a fluir, o tempo a marcar as horas, e a agenda a me chamar... Afinal gosto da vida assim do jeito que escolhi e faço acontecer!
E com você conta como é...
Assim começa o ano novo...nenhuma preocupação ou ansiedade, apenas descanso e descaso.
Não me dou conta nem mesmo das horas que passam desapercebidas e sem pressa alguma. Parece que no começo o tempo não marca as horas, não quer saber de compromissos, segue despretensiosamente e desse jeito sossegado.....vai ficando!
Por mais gostoso que seja é bom quando acaba e a vida volta a fluir, o tempo a marcar as horas, e a agenda a me chamar... Afinal gosto da vida assim do jeito que escolhi e faço acontecer!
E com você conta como é...
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
A mente educada!
Tenho lido um capítulo do livro "A mente educada" de Kieran Egan. Esse texto pelo qual me interessei e busquei trata de elocubrações sobre a ironia desde tempos mais remotos.
Um texto denso, complexo, cansativo, mas que produz reflexões importantes como por exemplo: A ironia corrói a confiança, dissolve o significado e mina toda e qualquer pretensão à insegurança intelectual. (p. 208). Já pensei sobre essa máxima em tantas situações.... a última foi numa defesa de qualificação de mestrado na UMESP. E olha que numa banca cabe bastante ironia!!
Embora seja um mecanismo sofisticado de expressão humana, acaba levando muitas conversas para cantos apertados e esteiras que derrubam a gente. Sobra aquela sensação de torpor e incongruência e a gente fica sem saber "se riram pra mim ou de mim". Acho que já experimentamos tal sensação não é?
Deixe aqui sua experiência com a ironia e me diga o que acha!!
bjubju
@angieso
Um texto denso, complexo, cansativo, mas que produz reflexões importantes como por exemplo: A ironia corrói a confiança, dissolve o significado e mina toda e qualquer pretensão à insegurança intelectual. (p. 208). Já pensei sobre essa máxima em tantas situações.... a última foi numa defesa de qualificação de mestrado na UMESP. E olha que numa banca cabe bastante ironia!!
Embora seja um mecanismo sofisticado de expressão humana, acaba levando muitas conversas para cantos apertados e esteiras que derrubam a gente. Sobra aquela sensação de torpor e incongruência e a gente fica sem saber "se riram pra mim ou de mim". Acho que já experimentamos tal sensação não é?
Deixe aqui sua experiência com a ironia e me diga o que acha!!
bjubju
@angieso
quinta-feira, 16 de dezembro de 2010
sábado, 4 de dezembro de 2010
Reflexão EBD - 05/12/2010
Pão Quentinho » Crescer Dói
“E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça….”
Há um livro interessante que acabou virando filme, chamado “O Tambor”, do alemão Günter Grass. É a história de um menino teimoso que se recusava a crescer. Quando queria alguma coisa pegava seu tambor e ficava batendo com um cabo de vassoura sobre ele até que alguém o atendesse. E já com idade adulta tinha a aparência e o corpo de uma criança.
Às vezes penso que é menos penoso continuar sendo o que sempre fomos. Para que arriscar? Para que sair do porto seguro e singrar por rios perigosos e traiçoeiros, que não conhecemos bem? Para que sair do aconchego dos pensamentos que trazem sossego à alma, e aventurar-se por abismos e montes escarpados? O senso comum diz que viver na planície é mais seguro que escalar as altas montanhas.
Há cristãos que gostam de viver nas planícies – as montanhas lhes dão vertigens. Há cristãos que se recusam a sair da segurança encontrada nos limites do terreno em que ele mantém controle, e sair fora dessa área demarcada na alma é inimaginável para ele. É o medo de “perder” a identidade, é o medo do novo, o medo do não conhecido.
Crescer é “abandonar” posições confortáveis, é deixar o que é seguro, é começar a subir em direção ao ar rarefeito dos cumes. Crescer é recusar a permanecer no conquistado, é romper com o passado, uma ruptura que vai levar a uma descontinuidade da rota até então vivida. Crescer dói porque nos leva a dar um passo quando queríamos ficar parados. Os fariseus foram incapazes de entender o que Jesus dizia e fazia porque recusavam dar o segundo passado, a andar a segunda milha…
Todos os seres vivos, animais e vegetais e até mesmo os minerais têm em si o potencial de crescimento. Uma semente de laranja carrega em si a potencialidade de um pé frondoso carregado de frutos. Um pires com água e sal deixado por alguns dias começa a produzir pequenos cristais de sódio. Todas as plantas crescem em direção ao sol.
Creio que o cristão traz em si a capacidade de crescimento que o Espírito nos dá. Se não temos crescido devemos olhar o que tem impedido esse processo. Muito provavelmente desenvolvemos “apegos” à nossa forma de ser. Eles funcionam como laços que nos impedem de dizer adeus à nossa infância, aos nossos quereres, às manhas e manias, à forma fixa de pensar. Não raro vemos adultos carregando sombras não resolvidas do passado que assombram o presente, vemos homens e mulheres incapazes de um relacionamento saudável por conta de resquícios infantis.
Paulo diz que ele plantou, Apolo regou, mas Deus é quem dá o crescimento. Todo pai quer ver seu filho crescendo. É o processo natural. A não ser que sofra de “nanismo”, que é o desejo inconsciente de não crescer. “Anões espirituais” temem quebrar paradigmas, a ir além do que foi dado.
Obsessão pelo passado, ou tentar encontrar no presente imagens de um passado que já se foi podem indicar um estratagema mental para não olhar para frente, e com isso não ter a responsabilidade de crescer.
Crescer dói, mas sem crescer não há como alcançar a estatura que Deus deseja para nós.
Pr. Daniel Rocha
sábado, 27 de novembro de 2010
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
TIMIDEZ!
TIMIDEZ - Cecilia Meireles
Timidez
Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
- mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...
- palavra que não direi.
Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
- que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...
e um dia me acabarei.
Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve...
- mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes...
- palavra que não direi.
Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
- que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando...
e um dia me acabarei.
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